domingo, 19 de dezembro de 2010

Mas... um blog?

Hoje resolvi criar um blog. Há certo tempo venho planejando isto, mas dois motivos principais me impediam: tempo e inspiração. Talvez só a partir de agora poderei levar a idéia adiante – e que seja eterno enquanto dure.
Mas... por que um blog e a opção pela escrita?
Vejo a escrita como uma das exposições mais íntimas que alguém possa realizar e simbolizar. Ao leitor é concedido caminho àquilo que há de mais subjetivo no escritor, ainda que não seja utilizado “eu” ou “nós” em sua produção; basta que baste uma meia palavra para que haja entendimento.
Expor-se em um blog, então? Este é um dos vícios contemporâneos, manifestação parcial do espírito do tempo em que vivemos: mostrar-se a todo um universo através de um pequeno ponto de ancoragem passageiro. É mais do mesmo, do idem, idem, idem na tentativa por singularidade. Uma contraditória singularidade do lugar-comum.
Precisamos de algo mais do que exposição para que haja singularidade. Expor-se requer alguém que observe e, adiante, aprovação dos olhos de quem vê. Eis aí a ancoragem passageira e dependente que se enfatiza nas relações de hoje em dia.
Entretanto, somos livres (e de uma liberdade sensacionalista, na web). Não nos obriguemos à autorização para existirmos. Que tal, a mim e ao leitor, enquanto passar por esta ancoragem, que se estratifique a coragem da palavra lida neste ponto, que se some e produza algo único destes vários artifícios conectados? Que tal içar a âncora do porto seguro e partir para a precisão de navegar?
O destino é incerto e certamente imprevisível. Bon voyage, desde já.

3 comentários:

Rossini disse...

Um velho novo museu de novidades?

Guilherme Catanante disse...

Ahh, o museu de novidades... acho que agora não é pra tanto hahaha!

Alex disse...

Seria mais fácil guardar nossas opiniões numa gaveta e esquecê-la lá. Seria mais fácil ser apenas um vulto na multidão andrógena do nosso tempo e não ser visto e morrer só. Seria mais fácil não ler poemas... E nem escrevê-lo. Tudo seria mais simples. Mas alguns precisam se arriscar e pronunciar aquilo que sente e pensa.

Que os bons ventos orientem nossos barcos ao longo da grande travessia.

Abraços.

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